segunda-feira, 11 de maio de 2009
VOCAÇÃO
Dantas e o Estadão se referem à denúncia do Ministério Público contra o ínclito delegado Protógenes Queiroz.
Já demonstramos que nem o jornal nacional nem o Ministério Público destruiu a essência da Satiagraha: as provas são legais e a ajuda da ABIN também é legal.
O Estadão e Daniel Dantas se baseiam na hipótese de a Operação Satiagraha se destruir por si própria, com a deúncia (não comprovada) de que a Globo participou da Operação Satiagraha, como responsável pela gravação. Muito simples.
A fita de vídeo em que o agente de Dantas, o Chicaroni, aparece no restaurante TranVia no ato de passar bola em nome de Dantas é uma prova secundária. O vídeo é o de menos.
Há outras maneiras de garantir a integridade da Operação:
1 – Os R$ 800 mil com o Chicaroni: para que eram? Para apostar na Mega Sena em nome do Dantas, já que o Dantas detesta respeitar filas?
2 – O primeiro depoimento em que Chicaroni confessa que foi contratado por Dantas. Depois, com o tempo, Chicaroni se afinou e passou a dizer tudo o que ajudasse a salvar a pele da Dantas. Estranho, não caro e-leitor? Por que essa mudança de atitude?
3 – E ainda tem o áudio da conversa de Chicaroni com os que receberiam a “bola” em nome de Dantas.
Se o Juiz da instância superior rejeitar o vídeo como prova, o Ministério Público joga o vídeo fora e o devolve aos arquivos da Polícia Federal (ou da Globo).
Não será por isso que Dantas deixará de ser condenado.
Tem gente que diz que há um “conluio”, um “consórcio” entre a Polícia Federal e o Ministério Público. Essas expressões, em sentido pejorativo, se empregam quando a Polícia e o Ministério Público tentam botar rico, branco, de olho azul na cadeia. E, agora, como é que fica o “consórcio” depois de o Ministério Público pedir o indiciamento do ínclito delegado Protógenes Queiroz ?
Mas vamos raciocinar um pouquinho:
Se o Daniel Dantas, mandou comprar um Delegado da Polícia Federal, com U$ 1 milhão, quanto será que o sistema Dantas de comunicação está ”disponibilizando” para angariar tantos ”apoios” das famiglias Marinho, Frias, Mesquita, Civita, Saad, dos âncoras, dos comentaristas, dos jornalistas, editores, apresentadores, chefes de reportagens, advogados ilustres, juízes, procuradores, deputados, senadores, ministros dos supremos, desembargadores, corregedores, delegados, promotores,...
Meu Deus, vamos traduzir isso em números?
Agora, a vocação do Estadão, é outro tipo de voca$$$ão…
sábado, 2 de maio de 2009
QUE PAÍS É ESSE ?
Seis juízes federais do TRF de São Paulo tentaram calar um juiz que prende criminosos do colarinho branco segundo seu melhor juízo de defensor da Lei.
Jamais se viu uma pressão tão poderosa partir de um Presidente da Suprema Corte contra um juiz de primeira instância.
Um Ministro do Supremo que trata os colegas como se fossem seus capangas, que comprometeu a credibilidade da Justiça no Brasil e se confere o direito de telefonar a uma governadora de estado para defender, de novo!!!, Daniel Dantas !!!
Que país é esse ?
O que queria Gilmar (e) Dantas?
Humilhar e subjugar de forma irremediável a justiça de primeira instância?
Remeter as causas dos brancos e ricos, de olhos azuis às instâncias em que tem “facilidades”?
Submeter e fechar as varas que combatem o crime do colarinho branco?
Consumar um Golpe de Estado de Direita, com a mão de gato da imprensa de SP + Globo?
Julgar juiz que condena rico por “indisciplina”?
Prender rico é uma fria?
Amedrontar os juízes de primeira instância ?
Felizmente, por um triz, o Supremo Presidente não enforcou De Sanctis.
Parece que Ele manda no Tribunal Regional de São Paulo menos do que Ele pensava.
Um juiz, De Sanctis, que decidiu segundo seu melhor juízo.
O Supremo Presidente do Supremo perseguiu um juiz que tem uma carreira de que os brasileiros se orgulham.
Por que o Supremo Presidente, ao contrário, não vai às ruas, como sugeriu Joaquim Barbosa, e testa como os brasileiros o respeitam?
Onde já se viu um Presidente da Corte Suprema perseguir um juiz de primeira instância com a ferocidade que Gilmar “Dantas” dedica a Fausto de Sanctis?
Nem tudo está perdido.
É uma vergonha para o Brasil que um juiz como De Sanctis tenha que se submeter ao que ele já se submeteu.
De Sanctis teve que se submeter a uma CPI de Amigos de Dantas, em que o Presidente da CPI foi financiado pelo sócio de Dantas.
Um juiz que teve que depor como réu num processo sobre um grampo sem áudio.
Cadê o áudio, Ministro Gilmar? Cadê o áudio, Dr. Luiz Fernando Corrêa, o senhor que é acusado de torturar uma mulher, cadê o áudio, Dr. Corrêa?
De Sanctis sofreu a pressão do próprio Tribunal Regional Federal de SP, que queria “promovê-lo”, para que não julgasse Dantas.
Um juiz que sofreu a pressão de três policiais federais, que, no dia em que decretou a prisão de Dantas, foram ao gabinete dele tentar demove-lo.
Que país é esse ? Que democracia é essa ?
Paulo Lacerda foi degolado por Gilmar Dantas e Nelson Jobim, por causa de um grampo sem áudio.
Protógenes Queiroz, o ínclito delegado, também degolado por esse Golpe de Estado de Direita.
Sobraram Joaquim Barbosa, De Sanctis e o Ministério Público Federal.
Até que Gilmar “Dantas” feche, como pretende, o Ministério Publico Federal.
Gilmar foi derrotado.
Ele perdeu uma batalha, mas não a guerra.
Ele vai voltar para cima de quem tentar prender brancos, ricos, de olhos azuis.
Aí, ele é implacável.
De Sanctis se salvou.
E o Brasil se rejubila.
E cumprimenta esse homem de coragem: Fausto de Sanctis
sexta-feira, 1 de maio de 2009
IRONIZANDO (só assim mesmo).
Vou meter minha colher na discussão sobre a conveniência da administração privada no interior dos presídios.
E vou opinar junto com os novos penitenciaristas: sou contra a privatização dos presídios.
Como é que posso ser a favor da privatização, se é proibido fumar nos presídios privados?
Isso é um atentado à liberdade dos presos. O certo é o que acontece atualmente: os presos têm liberdade para fumar tabaco, para fumar crack e maconha, para cheirar cocaína e heroína. Isso é o que é certo.
Além disso, como posso ser a favor da privatização dos presídios, se com ela os presos são obrigados a estudar?
Isso é um absurdo. Preso não foi feito para estudar.
Além disso, os presídios privados carregam a tremenda desvantagem de que os presos são obrigados a trabalhar.
Está errado. O preso tem direito ao ócio.
Como disse há poucos dias um dos novos penitenciaristas, preso trabalhando é semiescravidão. É irrazoável obrigar o preso a trabalhar.
Além do que, por cada dia trabalhado, o preso cumpre a pena de dois dias. Esse é um privilégio monstruoso. O preso acabará, quando trabalha, cumprindo, assim, somente a metade da pena.
Sou contra os presídios privados, sou contra preso estudando dentro das cadeias, sou contra preso trabalhando em minifábricas dentro das cadeias.
Sou a favor do sistema atual, em que os presídios são fábricas, mas fábricas de aperfeiçoamento dos criminosos no crime.
O desaforo dos presídios privados: obrigam os presos a trabalhar e a estudar. De onde é que tiraram esta loucura?
Ontem, um dos novos penitenciaristas saiu-se com esta: ele é contra os presídios privados porque eles trazem consigo uma limitação, não pode exceder em um preso sequer a capacidade do presídio.
Se a capacidade do presídio privado é de 400 presos, diz o camarada, e se quiser colocar lá mais um preso, ou seja, 401, não pode. Está errado, escreveu o novo penitenciarista. O certo é colocar lá 401, 402, 601, 602, 3 mil presos.
Estão certos os novos penitenciaristas, a regra para os presídios privados tem de ser a mesma dos presídios públicos, tem de superlotar, tem de abarrotar, tem de sair preso pelo ladrão, tem de haver igualdade entre os dois sistemas. Que magnífica sacada!
Ou seja, os novos penitenciaristas pregam o que é certo: a superlotação dos presídios.
Também sou contra a privatização dos presídios.
Outra coisa: nas cadeias públicas, o índice de reincidência criminal dos presos que são soltos é de 75%. Ou seja, três quartos dos presos que são libertados voltam a delinquir.
Enquanto que nos presídios privados o índice de reincidência é de apenas 7%. Dez vezes menos presos dos presídios privados voltam a cometer crimes.
Sou contra os presídios privados, onde já se viu, desse jeito, com os presos dos presídios privados se regenerando, daqui uns tempos não haverá mais presos. E o que vai se fazer com as verbas carcerárias, desaparecerão?
E o que vai ser dos concursados do serviço penitenciário público, únicos que podem tocar nos presos, segundo os novos penitenciaristas?
Sou contra.
É preciso manter os presos delinquindo depois de soltos, é necessário que os presos se entreguem ao ócio e à vagabundagem, nada de trabalhar dentro dos presídios, têm só de estuprar os outros presos, matar os outros presos, aterrorizar os outros presos, como acontece atualmente no regime público de administração do interior dos presídios.
Sou contra os presídios privados.
Essa ideia de presídios privados só cabe em cérebros de tolos.